quinta-feira, 23 de abril de 2009

A sutil forma de enganar

Seria bem mais fácil se o problema fosse a escola. A criação de centros educacionais, sem duvidas, diminui o problema, porem inocente é aquele que vê um centro físico como única solução, pois - nota-se - sem pestanejar, uma despreocupação com quem ensina e uma maior ainda com quem é ensinado.

Ao analisar o nível educacional de um aluno não é posto em questão a estrutura – obviamente - de onde ele foi educado, isto é, um teste educacional procura avaliar a sua bagagem adquirida ao longo da sua carreira discente, pois, numa prova como o ENEM, por exemplo, não tem questões abordando característica físicas da sua escola ou capacidade pedagógica dos seus docentes, então, apontar a escola como milagreira é uma atitude de quem precisa encobrir algo, atitude do governo para se exato.

Hoje, escolas modelos estão aí, projetos que deixariam qualquer um de boca aberta e com aquele orgulho superficial; o Estado anda trabalhando. Porem, isso não foi por acaso. A maquiagem que uma grande obra traz é o suficiente para abduzir fracos corações, no entanto, olhando um pouco mais a fundo, a própria escola que deviria direcionar estas pessoas a uma visão menos superficial se torna uma cartada de mestre para alienar professores, alunos e comunidade do que – realmente – deveria acontecer.

Deste modo assim, a escola – como muitos outros direitos – acaba sendo prostituída por quem deveria fazê-la objeto de libertação. A preocupação com a qualidade é suprimida no momento em que se vangloriam do seu poder hipnótico, logicamente, ao dar estrutura e não qualidade, vendo dessa forma: quem precisa de seres pensantes...

sábado, 14 de março de 2009

Do que eu bem entendo

Essa nunca será declarações ou revelação, destarte, “já mais serão, nunca serão”.

É como ser uma formiga sem sua força, conjugalmente, para seguir um cheiro.

É como ser João Gilberto sem a sua excentricidade, logicamente, para não tolerar casualidades de despercebidos - não tolerar falta de respeito - para ser claro.

É como ser uma paroxítona terminada em vogal sem o seu acento agudo no “e ou o” dos ditongos abertos da vida, onde – sem questionar – fora e fará, não terão problemas.

Não é como ser nada dos nenhuns “não's” das garotas que não gosta de gente burro, reverentemente, ao simples ponto de vista.

Seria olhar para uma guitarra e confundir uma diatônica mesclada ao mixolídios feita em tappings com um Dó, que dó, desculpe aí Hendriks.

Entre as estrelas do meu drama você já foi meu anjo azul, chegamos num final feliz...
... Me diz em que lugar cadê você.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Fiz a minha parte


“Mãos e corações livres e quentes (...) Agora paciência” . Depois de mais uma vitória de um velho sistema onde vendemos nossas obrigações, depois de mais uma vitória de uma democracia comprada que mostra a alienação e, acima de tudo, a infidelidade perante a uma “onça”, que mostra a lealdade com a esperança que até então, com os meios que temos – lidas - por isso, votar pra não voltar às mesmas seria o certo, no entanto são poucos os fieis e esperançosos.


Poderia berrar exaltando a minha imparcialidade e a falta de culpa que tenho nisso, assim não teria - e não tenho - nenhuma culpa do que acontecerá neste “Quarteto fantástico” que serão estes anos do governo do mau hálito, todavia como são de pequenos atos que se mede um homem, me preocupo com meus familiares e amigos que ainda estão na minha terra, mesmo eles não tendo algum “rabo-preso”.


A revolta, o barramento, a infelicidade, a vergonha, o vetor que mostra seres tão previsíveis adia o processo de renascença da pequena São Gabriel. O Prefeito eleito neste ultimo ato de “burrice popular majoritária” mesmo declarando que não seria um bom prefeito teve uma vitória que faria de qualquer pessoa um herói popular se não usasse da precariedade momentânea e da falta do que seguir a qual a maioria do meu povo tem tatuado em seus corações. Talvez ficar calado ajudaria, só que eu ouvi, vi e senti momento a momento preocupações, nem que seja preocupação egoísta, deu pra sentir na minoria um clamor por realidade por um chá de semancol aos infectados com ouro de tolo.


Hoje é fácil perceber a adjetivação substantival e o antropomorfismo que virá no dia 1° de janeiro de 2009 com a chegada do novo prefeito que com o seu tom de voz caninomorfotizante de cidadãos burros, fará como prometido pelo próprio uma analogia a o plano de metas de JK, 400 em 4, eita!! Zé Carlos acebolado que por antagonia a um conhecido de João Cabral em uma vida Severina de final feliz, a uma vida acebolada de democracia burra levantando aquilo de sentar, deitar, rolar, fingir-se de morto e celebrar a estupidez humana, estupidez da nossa nação.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

E agora José.


Nunca que uma quarta-feira foi tão esperada, falo isso, pois a expressão carnavalesca do meu povo não é uma das mais culturais. É perceptível, que o meu ponto de vista vai de contra a definição de cultura, que por sua vez, junto à antropologia fala que qualquer forma de manifestação humana se torna “cultura”.



Ainda assim, tenho argumentos para difundir a necessidade de algo a mais, não com a mesma ferocidade de algumas musicas carnavalescas de hoje, alias não só no carnaval, mas de todos os momentos - afinal - dizem que na Bahia carnaval é o ano todo, já basta ser chamado de preguiçosos e ter fama de burro, graça a alguns aí. Então, como já foi dito e sempre vamos ouvir: a Bahia não é só isso minha gente! essa impregnação que temos de pegar o que chama mais a atenção, -“(pra muitos)”- e estereotipa num todo, tem que acabar. Afinal de contas tenho certeza que os bárbaros, como era chamado qualquer povo que não fosse Romano, tinha muito mais de que pele em seus corpos.



Em leituras anteriores vi a preocupação de mestres em relação às dádivas nordestinas, com a invenção do forro estilizado. Com isso, podemos falar que o samba estilizado, o pagode e o axé estilizado estão em alta, e moldando mentes promissoras, mais do que nunca. Tem até graça – depois da preocupação, depois do nervosismo, do desespero, do desprezo e depois disso tudo vem à sátira. Podemos dizer que as fronteiras culturais hoje estão muito mais sucateadas, muito mais craques em dribles, nem comento os embargos ao chegarmos a outros países – não preciso ir tão longe. A sensibilidade musical praticamente não existe, usam de instrumentos fascinantes, técnicas muito apuradas, músicos muito bem estudados, isso deveria dar qualidade a musica, no entanto não passam de cacofonias e a desvalorização moral, histórica e social.



Então, da forma que falei da baixa cultura, uma forma que deixasse a idéia de grandeza, no entanto grande mesmo é a boa cultura, prova disso são as exportações, cansamos de ver nossas musicas – musica que vale a pena ouvir, que desperta algo mais quebradinhas de chanas em asfaltos – serem interpretadas, e que interpretação em, nas festas de hoje. Apologia hoje à cultura sensata pode dar idéia de coisa antiquada, de coisa ultrapassada, queria eu não ouvir isso ai ao sair de casa, mas, porem, no entanto, todavia e sem fazer comparação com culturas de outros estados, a nossa, afinal de contas por preocupação com os meus – a forma que a nossa maioria expressa à cultura tem que diferenciar, tem que acabar essa fama aí.


domingo, 22 de fevereiro de 2009

São Gabriel - Poesia Melderna

São Gabriel, São Gabriel.
Folhas de folhas, folhas de papel.
Baixão seco que ti preocupas
Que de nel num el , inspira cordel.


Né num é Gabrié, o que te atinge?
Tu tens os lábios de Mel?
E sem não tem, que te preocupas?
Se fazem de Mel amargar. É fel!


E os céus, né num é Gabriel,
Como se não bastasse o mal
Que em tempos de seca,
Aquela velha historia de sal?


O que amalgamar filho do réu?
Aquela ladeira? Já não da rasteira
Nem num né, quem pulou a porteira
Com medo da baladeira


Risada bandida, ó quem o diga.
“Ku.ku.ku.ku.ku.- Surucucu”
Mas, quem com ela castiga?
Aquele que com amor,nem num nú, fala do Gabiru!


Né num nal é no Final?
Natal virar funeral? Nem num nal!
Nem roupas de arraial
Faz te festejar, ó, lagoa do cristal.


Mas, né num nal “Gabrielzal”?
Nem se fosse bacanal!
Que é Mel nosso de cada dia!
Que vem nas cantorias, juntar tudo que é Maria,nem num nia, pra ver alegria de quem não tem carnaval...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Entendi

Como já era de se esperar, Jairzinho ia pegar o leite no curral do seu Lino.

- Seu Lino

- Oi Jairzinho, pegar o leite foi?

- aaah o senhor como sempre me surpreende, advinha todas.

- Cof-cof, é. Cof-cof

- Seu Lino, suas vacas só produzem leite?

- Não - cof-cof - ta vedo aquela vacas preta ali, de suas tetas saem café, cof-cof, fresquinho.

- oh, nossa, então daquela outra ali sai leite, e dessa outra aqui café com leite né?

- Isso mesmo.

- Só mais uma coisa, porque não vende café ou café com leite, porque só vende o leite?

- Na verdade, há uma necessidade de me colocar em meu lugar, já existem outros vaqueiros que vendem café, e outros que vendem café com leite. Eu poderia sim vender todos os produtos expandindo assim o meu negocio, no entanto, não sou adepto de captais, sem falar é claro que a maioria das minhas vacas são brancas e outra coisa, o que prefere Jairzinho, saber fazer várias coisas ou ser especialista em uma só, antigamente foi assim, hoje quanto melhor o meu leite um maior preço pagarão por ele.

- aaaaaaaaaaaah entendi. Eita, já ia me esquecendo do leite de mamãe, ela realmente não vai acreditar que o senhor tem uma vaca que da café, imagina só uma que da café com leite.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Palavras de quem entende

O escritor Ariano Suassuna em uma matéria publicada num jornal sobre o chamado forró estilizado, que está lotando casas de show e praças públicas, principalmente nas cidades interioranas do Nordeste, ficou escandalizado ao ouvir algumas das músicas de várias bandas que seguem essa linha grotesca, do achincalhe e da desmoralização a mulher.

As suas considerações renderam críticas e durante uma das suas
aulas-espetáculo, ano passado, ele foi questionado, por ter 'malhado' uma música da banda Calipso, apontada de mau gosto. Quando mostraram a Ariano algumas letras das bandas desse tipo de 'forró', ele exclamou: 'Eita, que é pior do que eu pensava'. Do que ele pensava e do que muito mais gente jamais imaginou.

Para conhecer algumas letras e as respectivas bandas, Ariano foi na fonte e lá se deparou com 'Calcinha no chão' (Banda Caviar com Rapadura),'Zé Priquito' (Cantor Duquinha), 'Fiel à putaria' (Banda de Felipão Forró Moral), 'Chefe do puteiro' (Banda Aviões do forró), 'Mulher roleira' (Banda Saia Rodada), 'Mulher roleira a resposta' (Banda Forró Real).

Encontrou também 'Chico Rola' (Banda Bonde do Forró), 'Banho de língua' (Banda Solteirões do Forró), 'Vou dá-lhe de cano de ferro' (Banda Forró Chacal), 'Dinheiro na mão, calcinha no chão' (Banda Saia Rodada), 'Sou viciado em putaria' (Banda Ferro na Boneca), 'Abre as pernas e dê uma sentadinha' (Banda Gaviões do forró), 'Tapa na cara, puxão no cabelo' (Banda Swing do forró) entre tantas "pérolas" desta artilharia que anda povoando a mentes de quem, parece não pensa, desconhece a boa música brasileira. Diante de todas essas possibilidades, Ariano Suassuna disse que toda essa esculhambação tem uma origem.

Veja o que escreveu o mestre:

"Esta 'esculhambação' não é culpa exatamente das bandas, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. Faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se.

Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas do turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde.

Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos Alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem.

Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é 'E vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente.

Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos... não precisa dizer mais nada..."